A Fundação de Ciências do Medicamento e de Produtos Sanitários (Fundamed), com o apoio da Gaceta Médica, reuniu num workshop diferentes especialistas em medicina, nutrição, dietética, ciência e tecnologia dos alimentos, divulgação, promoção e consumo para debater em conjunto o papel do açúcar na nutrição. Tal como a Gaceta Médica consagrou no seu artigo sobre o encontro, “o ser humano está capacitado para encontrar alimentos doces, porém, estamos numa sociedade onde esses nutrientes estão em excesso em muitos produtos. Estamos codificados para gostar do doce”, apontaram os especialistas. Porém, seríamos capazes de reeducar o nosso paladar? Os nutricionistas explicitam que “o ser humano não é viciado em açúcar; o apetite por doces é outra coisa, se bem que estamos geneticamente predispostos a ele porque é um elemento de sobrevivência”. No que a maioria coincide é que “se pode trabalhar em reduzir a doçura, não com o açúcar, mas com os adoçantes”.

Outro aspeto abordado no workshop centrou-se nos adoçantes sem ou de baixas calorias que, como confirmam os especialistas e publica este meio, “até ao momento não existem estudos científicos que assinalem que os adoçantes são nocivos. Estão aprovados, logo são seguros”. Ao mesmo tempo, os especialistas quiseram lançar a mensagem de que baixar a doçura em determinados produtos é um caminho longo, e substituir o açúcar por adoçantes não é um problema, “é a solução”.

A respeito do papel da indústria, “tornou-se evidente como se estão a adaptar às necessidades do consumidor já que há mais de dez anos que se está a trabalhar na redução da doçura dos produtos”. Relativamente ao açúcar, este artigo relembra que “a indústria tem feito os seus deveres. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou limitar a sua ingestão a menos de 10 % do total de calorias diárias e para esse objetivo as empresas estão a adaptar-se a essa recomendação. No caso da Coca-Cola, isso significou a reformulação das suas bebidas e oferta de alternativas sem açúcar”.

Outro aspeto chave que se abordou no workshop foi a necessidade de educar o consumidor para que possa reduzir a ingestão de açúcar, conhecendo a quantidade que se pode consumir. Neste ponto, segundo indica esta publicação especializada em saúde, “estamos a falar de um ambiente nutricional”, pelo que educar a população não pode partir da rotulagem de um alimento em concreto, mas antes de formação e educação de qualidade que o consumidor “absorva”. O problema é que muitas vezes os conselhos nutricionais surgem na divulgação, apesar desta educação dever ocorrer na escola ou no consultório do especialista. É aqui que a rotulagem entra em ação. “A informação tem que estar na rotulagem e a mensagem deve ser legível”, concordaram os especialistas. Simultaneamente, ressaltaram que se deve simplificar ao fornecer-se informações ao consumidor de forma compreensível no rótulo.

Por fim, o papel das entidades também é fundamental. “Perante este cenário, é necessário encontrar estratégias lideradas pelo Estado para educar a população face a estas questões”. No entanto, os especialistas acreditam que a administração deve mudar o seu papel “reativo” para um mais “proactivo”. A mensagem é clara: “Precisamos de uma sociedade que entenda que a evidência científica é importante”.

Até ao momento, “os especialistas lamentam que não haja um inquérito de tipo longitudinal oficial que analise o consumo de açúcar e, a partir daí, construa um diálogo”. Outro passo que foi dado em Espanha foi o acordo da Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutricional (Aecosan), onde o Ministério da Saúde e a indústria alimentar se comprometeram a reduzir o teor de açúcar, gorduras saturadas e sal. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), assinaram, no passado dia 2 de maio, um conjunto de protocolos com sete associações da indústria alimentar e distribuição para garantir a produção de alimentos mais saudáveis. Os acordos estabelecidos prevêem uma redução de 10 % no teor de açúcar dos cereais de pequeno almoço, iogurtes, leites fermentados, leite com chocolate e refrigerantes e uma redução de 7 % para os néctares de fruta.  Estes protocolos assinados integram-se no âmbito das atividades do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável e da Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável.

Referências:

Gaceta Médica. Un esfuerzo conjunto para avanzar en estrategias en nutrición. 2019 [consultado em 29 maio 2019].
Disponível em: https://www.gacetamedica.com/primaria/un-esfuerzo-conjunto-para-avanzar-en-estrategias-en-nutricion-AA1983763

Instituto Nacional de Saúde. Instituto Ricardo Jorge e Direção-Geral da Saúde assinam protocolos para uma alimentação mais saudável. 2019. [consultado em 29 maio 2019].
Disponível em: http://www.insa.min-saude.pt/instituto-ricardo-jorge-e-direcao-geral-da-saude-assinam-protocolos-para-uma-alimentacao-mais-saudavel/