Uma recente revisão sistemática e meta-análise que analisou 29 ensaios clínicos controlados aleatórios com o total de 741 participantes para avaliar se os adoçantes sem ou de baixas calorias afetavam o nível de glicose no sangue, concluiu que o índice glicémico não é afetado pelo seu consumo.

Esta revisão incluiu apenas aspartame, sacarina, glicosídeos de esteviol e sucralose, sendo a sucralose e o aspartame os dois mais utilizados. Na União Europeia, há um total de 19 adoçantes autorizados com base nos critérios de segurança avaliados e aprovados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

O objetivo da meta-análise, publicada no European Journal of Clinical Nutrition, foi estimar e apurar, a partir do resultado dos 29 estudos, a trajetória das concentrações de glicose no sangue em intervalos de 30 minutos durante 7 horas após o consumo de adoçantes sem ou de baixas calorias. Além disso, o efeito foi também avaliado “pelo tipo de adoçante não nutritivo, idade, peso e estado de saúde dos participantes”. Neste sentido, a análise mostrou que “o consumo de adoçantes sem ou de baixas calorias não aumentou o nível de glicose no sangue e o seu valor diminuiu gradualmente durante o período de observação após o seu consumo”. A revisão científica monitorizou “a trajetória do nível de glicose no sangue nos primeiros 210 minutos após o consumo de adoçantes sem ou de baixas calorias e identificou um declínio significativo na glicemia em relação ao ponto de partida de referência a partir aproximadamente dos 120 minutos”. “O impacto glicémico do consumo de adoçantes sem ou de baixas calorias não diferiu por tipo de adoçante (aspartame, sacarina, glicosídeos de esteviol e sucralose), mas em certa medida variaram de acordo com a idade, peso e estado diabético dos participantes”.

As conclusões desta nova publicação científica “confirmaram investigações anteriores sobre a ausência de impacto glicémico após o consumo de adoçantes sem ou de baixas calorias”. No entanto, como qualquer revisão científica, existem algumas limitações relativas a esta revisão quanto à dimensão e representatividade da amostra, bem como no esclarecimento dos mecanismos biológicos subjacentes e das implicações para a saúde do consumo frequente e crónico de adoçantes sem ou de baixas calorias, de modo que o impacto glicémico de outros tipos de adoçantes sem ou de baixas calorias não é indicado. Por este motivo, no desenvolvimento futuro desta vertente de investigação sugere-se ter em conta a análise destas variáveis.

Como o texto deste estudo explica, “a ausência de impacto glicémico do consumo de adoçantes sem ou de baixas calorias torna-os instrumentos nutricionais potencialmente úteis para pessoas com diabetes ou num regime de perda de peso”. Estes podem igualmente ajudar na redução da ingestão de açúcar e ajustá-la às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desta forma, “os adoçantes sem ou de baixas calorias fornecem um sabor doce com nenhumas ou poucas calorias, tornando-se um substituto popular para os açúcares”, já que a sua capacidade de adoçar é 30 a 1.000 vezes superior à sacarose.

Nichol AD, Holle MJ, Am R. Glycemic impact of non-nutritive sweteners: a systematic review and meta-analysis of randomized control trials. Eur J Clin Nutr, 2018;72:796-804; doi: 10.1038/s41430-018-0170-6.

União Europeia. Regulamento (CE) No 1333/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo aos aditivos alimentares. Jornal Oficial da União Europeia, 2008;L354:16-33 e suas alterações posteriores.