Um novo estudo realizado pela Universidade de Liverpool e publicado na revista científica Physiology & Behavior explora de que forma o consumo de bebidas com adoçantes sem ou de baixas calorias pode contribuir para um maior controlo na ingestão alimentar na população adulta.

Os estudos atuais sugerem que as bebidas com adoçantes de baixas calorias podem beneficiar determinadas pessoas a reduzir a sua ingestão calórica e, por sua vez, ajudar a satisfazer o seu desejo pelo sabor doce. Adicionalmente, a ideia de que os adoçantes sem ou de baixas calorias podem contribuir para uma preferência por alimentos de sabor doce e, portanto, favorecer uma ingestão excessiva e o aumento de peso, não foi confirmada pelos resultados deste novo estudo, o qual foi baseado em duas experiências.

No primeiro ensaio, expuseram-se 120 pessoas - consumidores habituais e não consumidores de adoçantes sem ou de baixas calorias – a diferentes estímulos para introduzir o desejo. A um dos grupos foi dado um alimento, enquanto ao outro (grupo de controlo) foi induzido o desejo através de um estímulo não alimentar. Após a exposição ao estímulo, a ambos os grupos foi‑lhes permitido comer tanto quanto desejassem (ingestão de alimentos ad libitum) entre uma seleção de alimentos e bebidas, incluindo bebidas com adoçantes sem ou de baixas calorias.

Os participantes que receberam um estímulo através de um alimento tiveram uma ingestão calórica superior em comparação ao grupo de controlo, mas este resultado foi observado apenas entre os participantes que não eram consumidores regulares de bebidas sem ou com baixas calorias. Por outro lado, entre os consumidores habituais de bebidas com adoçantes sem ou de baixas calorias, não houve diferença entre os dois grupos, o que sugere que os consumidores habituais estavam, de algum modo, protegidos do aumento do consumo de alimentos induzidos por desejos.

Na sequência das conclusões do primeiro ensaio, os investigadores realizaram um outro estudo utilizando o mesmo estímulo entre participantes que eram consumidores frequentes de bebidas com adoçantes sem ou de baixas calorias. Os 172 participantes deste estudo foram designados aleatoriamente para o grupo de desejo ou para o de controlo, e para a condição de adoçante sem ou de baixas calorias disponível ou não, gerando quatro grupos independentes.

No segundo ensaio observou-se que, no geral, a ingestão de alimentos foi significativamente maior quando não estavam disponíveis bebidas com adoçantes sem ou de baixas calorias, em comparação com as ocasiões em que estas estavam disponíveis. Os participantes do grupo que não tinha estas bebidas também reportaram uma menor perceção no controlo do seu comportamento, menor prazer ao comer e uma maior culpabilidade relacionada com a alimentação em comparação com aqueles que tinham à sua disposição bebidas com adoçantes sem ou de baixas calorias. O que indica que quando os consumidores frequentes podem consumir estas bebidas, percecionam um maior controlo sobre a sua ingestão alimentar e uma menor culpabilidade.

Estas conclusões sugerem que, para os consumidores habituais, as bebidas com adoçantes sem ou com baixas calorias podem facilitar uma menor ingestão de energia ao mesmo tempo que se reduzem os estados psicológicos negativos associados à alimentação. Além disso, proporcionam uma visão inovadora dos mecanismos psicológicos que sustentam o consumo frequente de bebidas com adoçantes sem ou com baixas calorias no contexto do seu efeito positivo sobre o peso corporal, tal como já foi descrito na literatura.

Referências:

Maloney NG, Christiansen P, Harrold JA, Halford JCG, Hardman CA. Do low-calorie sweetened beverages help to control food cravings? Two experimental studies. Physiology & Behavior 2019;208:112500.

Rogers PJ, Hogenkamp PS, de Graaf C., et al. Does low-energy sweetener consumption affect energy intake and body weight? A systematic review, including meta-analyses, of the evidence from human and animal studies. Int. J. Obes. 2016;40:381–394.