A primeira edição do concurso Mares Circulares sobre economia circular, lançado em agosto pela Associação Chelonia e Coca-Cola em Espanha, conta já com um projeto vencedor. Trata-se de PlasticFam, cujo principal objetivo é obter a recolha correta de resíduos marinhos e a sua posterior gestão.

Luis Gonzalo Egea, membro da Associação Biomas e do grupo de investigação Estructura y Dinámica dos Ecosistemas Acuáticos (EDEA) da Universidade de Cádiz, é quem está a liderar o projeto, juntamente com Fernando G. Brun e Rocío Jiménez-Ramos, membros do EDEA, e Iñaki Abella, diretor de Biomas.

De acordo com Luis Gonzalo, para o aumento da contaminação plástica no litoral, “soma-se a má gestão dos resíduos e o desconhecimento de como se originam e se acumulam, o que diminui a eficácia da sua recolha”.

O investigador propõe usar a própria natureza para a recolha desse lixo. Especificamente, as pradarias de ervas marinhas da Baía de Cádiz, que atuariam como uma barreira natural para os macro e os microplásticos nas costas.

“Até ao momento, o potencial destas comunidades de plantas não foi contabilizado”, assegura Luis Gonzalo, cujas investigações se centraram em “como a mudança global que estamos a enfrentar afeta os ecossistemas costeiros com vegetação tais como as pradarias marinhas, comunidades muito sensíveis e de grande importância para todas as funções e serviços que nos proporcionam”.

Assim, o projeto que foi premiado “permitiria reforçar o trabalho de recolha realizado ao integrar essas barreiras naturais e a valorização desses ecossistemas”.  

Um projeto que alia investigação, inovação e sensibilização ambiental

Além disso, a PlasticFam pretende que esse esforço para limpar os custos se torne muito mais. “É também uma oportunidade para promover pesquisas neste campo, reutilizar resíduos ao usar tecnologias de impressão 3D, criar um sistema de economia circular que produz novos objetos para fins educacionais dentro da Associação de Biomas e sensibilizar a população local sobre a importância de conservar as costas e reduzir, reciclar e reutilizar o plástico”, afirma Luis Gonzalo.

Graças ao concurso, nascido para dar suporte aos projetos de negócio ou start-ups que fornecem soluções para reduzir o lixo marinho, este investigador e os seus colegas receberão capital semente no valor de 5.000 euros para materializar PlasticFam. “Temos à frente um ano cheio de entusiasmo e trabalhamos para iniciar o projeto e contribuir para o desenvolvimento económico dos nossos mares e costas mais sustentáveis”, afirma.

Mares Circulares

Este concurso é parte integrante de Mares Circulares, um projeto ambicioso de limpeza de costas e fundos marinhos que, cofinanciado pela The Coca-Cola Foundation, arrancou em maio passado com a participação de mais de 100 organizações públicas e privadas. Mares Circulares não só contempla a recuperação de espaços naturais, com também a prevenção através de campanhas de sensibilização cidadã e a geração de estudos e modelos científicos da economia circular.

“Dentro da nossa estratégia de sustentabilidade, comprometemo-nos a colaborar com parceiros locais e nacionais na recolha de 100% das nossas embalagens, para que nenhuma acabe como resíduo, especialmente nos oceanos. Mares Circulares nasceu desse compromisso”, destaca a Diretora de Responsabilidade Corporativa da Coca-Cola Ibéria, Ana Gascón. “E vamos cumpri-lo graças a iniciativas como este concurso, que nasce com vocação de continuidade e procura promover o empreendedorismo, a inovação e a investigação para reduzir o impacto dos resíduos sólidos nos mares”.