O que é o nomadismo digital? É um novo estilo de vida assente numa nova abordagem face ao trabalho, fazendo uso da tecnologia para eliminar as barreiras associadas ao espaço físico onde trabalhamos.  

Esta tendência está a crescer e, de acordo com a Upwork, mais ou menos dois terços daqueles que fazem esta mudança de vida tornam-se freelancers, enquanto os restantes criam um negócio ou equipa virtual.

O nómada digital Jacob Laukaitis, membro do TalentGarden, partilha a sua história de como transformou a sua vida laboral por completo ao criar e gerir um negócio online, enquanto viaja para mais de uma dúzia de países por ano.

Ganhar dinheiro enquanto se viaja…como? Conta-nos mais sobre onde, quando e como tudo começou.

Criei a minha primeira empresa com 15 anos e, desde aí, tenho vindo a gerir as minhas próprias aventuras online. Tornei-me num nómada digital ativo há cerca de dois anos A certa altura trabalhava três a cinco horas por semana e podia viajar para qualquer sítio, por isso fui a 12 países. Atualmente sou cofundador de uma empresa de cupões online, ChameleonJohn.com. Embora este seja um projeto muito maior, continuo completamente independente de localizações de trabalho, pois posso completar todas as tarefas relacionadas com trabalho online.

A que chamas “a tua casa” e “o teu escritório”?

A minha perceção do que é uma “casa” mudou dramaticamente nos últimos dois anos. Agora, a minha casa é em lado nenhum e em todo lado ao mesmo tempo. O que, na minha opinião, é fantástico. Já um escritório é qualquer mesa no mundo, desde que tenha o meu computador e uma ligação Wi-Fi. Sou também um frequentador de espaços de trabalho partilhados, sou um membro da rede TalentGarden, que é muito conveniente para os viajantes na Europa, especialmente no Sul, sendo que como membro é possível trabalhar de todos os espaços. Os locais de trabalho partilhados são os melhores escritórios porque posso conhecer empreendedores, profissionais e nómadas digitais interessantes. Espero que brevemente o TalentGarden crie espaços na Ásia, pois tornaria a vida dos viajantes trabalhadores mais fácil.

Algumas dicas para aqueles que vão iniciar a sua jornada?

Claro! Para cada nómada digital iniciante recomendaria nunca ficar no mesmo sítio por muito tempo. Continua a movimentar-te e a explorar novas culturas (e, se tiveres tempo, começa a aprender novas línguas) e termina o trabalho que tens para fazer antes de ires fazer mergulho, surf, escalada ou qualquer outra coisa híper entusiasmante. Ao viajar, tenta que te acolham… é a melhor forma de conhecer novos amigos e explorar a cultura do sítio. Para todos aqueles que se querem tornar nómadas digitais, acabei de criar uma newsletter grátis “3 Dicas Para Te Tornares Num Nómada Digital”.

Qual é a tua melhor e mais recente conquista laboral?

Nos últimos dois anos viajei para mais de 30 países, ajudei a fazer crescer a ChameleonJohn.com – de uma start up para uma empresa estabelecida – e alguns dos meus artigos digitais ficaram super populares, como o “Why I will never Live 9 to 5 na Medium, que teve mais de 160.000 visualizações.

Podes partilhar algumas estatísticas pessoais de viagem e as maiores ou mais loucas aventuras que tenhas tido?

Agora passo a maioria do meu tempo na Ásia porque me interesso muito pela história do continente, as muitas culturas que tem e as oportunidades de negócio online. Já estive em 11 países, em alguns deles várias vezes. Passei um mês a viajar à volta do Japão, arranjei a minha licença de mergulho nas Ilhas Gili, escalei vulcões em Bali e atravessei de mota dezenas de ilhas, terras e cidades. Aliás, acabei de atravessar os estados dos Balcãs de mota. Guiei cerca de 8.000 quilómetros por 15 países em apenas quatro semanas, completamente sozinho.

Conta-nos mais acerca dos teus planos. Fazes alguns? Qual é o próximo destino?

Normalmente não faço planos fixos, mas tenho muitas ideias acerca de onde quero ir e o que quero fazer. A partir de 1 de setembro vou passar uma semana a relaxar na Tailândia, um mês a ter uma fantástica escapadela de equipa com os meus colegas em Bali, um mês a viajar à volta da Indonésia e a aprender a sua língua oficial, dois meses a viajar pela Índia (que inclui uma ou duas semanas a viver nos bairros de lata de Mumbai), três meses no Taiwan a aprender mandarim e a conectar-me com a comunidade de start ups local e uma viagem de três meses pela China, além de outros potenciais destinos.

Como descreverias a tua vida atual em cinco palavras?

Não a mudava por nada.