Pela primeira vez na história da Humanidade, a educação começa a ser verdadeiramente universal, gratuita e democrática. Além disso, muitas destas aulas estão acessíveis a, por exemplo, crianças que até há pouco tempo não tinham sequer acesso à escola, eestão a ser administradas pelos melhores professores e orientadores do mundo.

Isto é possível graças não só às oportunidades que a Internet nos traz, mas também ao fenómeno que nem sabíamos que existia em tal magnitude até as redes 2.0 terem começado a ser implantadas: as pessoas gostam de partilhar as suas paixões e estão dispostas a colaborar de forma desinteressada, especialmente como parte de uma comunidade, como é o caso da Wikipédia. Pela primeira vez, as colaborações entre semelhantes podem estabelecer-se sem restrições de tempo, espaço e densidade da rede social.

Esta nova força colaborativa está a permitir abrir horizontes para um tipo de educação que nem as histórias de ficção científica mais otimistas podiam prever. Porque não são só as aulas que são partilhadas online, mas também a incrível diversidade de iniciativas educativas que poderão chegar às gerações mais preparadas e informadas da história.

De seguida apresentamos algumas das plataformas mais populares.

Khan Academy

Khan Academy revela-nos as possibilidades de educação na era YouTube.

Atualmente não é difícil encontrar tutoriais de vídeo para aprender a realizar todo um tipo de atividades, desde a instalação de um programa até como tricotar um punho de uma camisola.

Nesta mesma linha, em 2006, Salman Khan começou a gravar vídeos simples de dez minutos onde ensinava matérias básicas da universidade. Em 2009, mais de 50 mil pessoas por mês viam os seus vídeos. Um ano depois, o número tinha aumentado para 200 mil. Outro ano depois, um milhão. No verão de 2011, a Academia Khan tinha já dois milhões de visitas por mês.

Agora a academia dispõe de mais de 2 200 vídeos sobre temas que vão desde a biologia molecular à história dos Estados Unidos. Além disso, tem planos de expansão para que a educação chegue a todas as pessoas do mundo, bem como um plano de colaboração pública para gerar novos conteúdos. Porém, o que é realmente espetacular é que muitos alunos preferem ter as aulas desta forma do que presencialmente nas instituições, tal como o próprio Khan explica na sua palestra TED de 2011:

No seu ponto de vista, isto faz todo o sentido. Os estudantes encontram-se numa situação em que podem parar e repetir a explicação. Se tiverem de rever algo que aprenderam há algumas semanas ou anos, não têm de sentir-se incomodados por ter de o perguntar, podem simplesmente voltar a ver os vídeos. Caso se aborreçam, podem passar à frente. Podem vê-los quando quiserem e com o seu próprio ritmo.


SOLE: Educação minimamente invasiva

Em 1999, o físico indiano Sugata Mitra interessou-se pela educação, mas interessou-se sobretudo pela forma como a poderia fazer chegar a todas as crianças, até mesmo as que tinham menos recursos.

Naquela altura, Mitra era chefe de investigação e desenvolvimento da NIIT Technologies, uma empresa de desenvolvimento de software de Nova Deli e, nos seus tempos livres, desenvolveu uma interessante experiência. Numa das paredes do escritório, situado num bairro periférico, Mitra fez uma abertura no muro e instalou um computador e um rato. Os equipamentos estavam fixos, de forma a que não pudessem ser retirados por ninguém.

Como Peter H. Diamandis explica no seu livro Abundância:

As crianças que viviam no bairro não falavam inglês e não sabiam como utilizar o computador, nem tinham conhecimentos de Internet, mas eram curiosas. Em cinco minutos, souberam como marcar e fazer clique. Ao final do primeiro dia, estavam a navegar na Internet e, o que é ainda mais importante, estavam a ensinar uns aos outros como o fazer.

Inspirado por estes inesperados resultados, Mitra desenvolveu um método de educação primária que batizou de educação minimamente invasiva. Para tal, criou Ambientes de Aprendizagem Auto-Organizados (Self Organising Learning Environments, SOLE) em vários países do mundo. Os SOLE são apenas terminais de computador com um banco para sentar. Em cada banco podem sentar-se quatro crianças.

Além disso, no SOLE colaboram grupos de avós (de momento, do Reino Unido) que dedicam uma hora por semana do seu tempo a serem tutoras dessas crianças através do Skype. Isto é algo que representa uma melhoria substancial na educação de crianças que vivem num país, a Índia, que irá precisar de 1,2 milhões de professores na próxima década.

Udacity

UDACITY
Udacity é provavelmente a plataforma de educação online mais importante do mundo. E é completamente gratuita, a menos que seja necessária a obtenção de um título homologado para alguns cursos. Tem 1,6 milhões de utilizadores e foi fundada em 2011 pelo professor de Inteligência Artificial de Stanford, Sebastian ThrunDavid Stavens, formado em ciências informáticas em Stanford e o engenheiro informático Mike Sokolsky de Carnegie Mellon.

Udacity oferece os que já designamos por MOOC: cursos online massivos e abertos sobre todos os tipos de assuntos, ministrados pelos melhores professores do mundo.

Os dois primeiros cursos, que começaram a 20 de fevereiro de 2012, foram "CS 101: Construção de um motor de busca", administrado por David Evans, da Universidade de Virginia, e "CS 373: Programação de um carro robótico", administrado por Sebastian Thrun.

Coursera

Coursera é uma plataforma de educação virtual gratuita nascida em outubro de 2011 e desenvolvida por dois académicos da Universidade de Stanford, Andrew Ng e Daphne Koller.

Em julho de 2012, o Coursera já se tinha associado a 16 universidades de todo o mundo. Em 2013, eram ministrados cursos que podiam dar créditos universitários. Os primeiros cursos totalmente desenvolvidos em espanhol são ministrados em colaboração com a Universidad Autónoma de Barcelona, a Universidad Nacional Autónoma de México e o Tecnológico de Monterrey.

Duolingo

duolingo
Se nos concentrarmos no âmbito da aprendizagem de línguas, então o Doulingo é a referência. A plataforma foi fundada pelo professor de ciências de informática de Carnegie Mellon, Luis van Ahn, e pelo estudante de pós-graduação da mesma universidade americana, Severin Hacker.

Além de ministrar aulas gratuitas, opera como uma plataforma de crowdsourcing para a tradução de textos. Isto é, à medida que os utilizadores aprendem inglês, estão também a traduzir, em modo de colaboração, textos de páginas web e outros documentos. Atualmente a ferramenta tem 12 milhões de utilizadores ativos em todo o mundo e o seu objetivo é traduzir a Wikipédia do inglês para outros idiomas.

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Nova Iorque, 34 horas a aprender inglês no Doulingo equivalem a um semestre de aulas de língua na universidade. Estão inclusivamente previstas aulas de klingon, o idioma fictício criado para o universo Star Trek.

Além da sua versão web, tem também uma App para iOS, Android e Chrome.