A WWF (World Wildlife Fund for Nature) e a Coca-Cola partilham objetivos de trabalho e desenvolveram projetos para salvaguardar ecossistemas fragilizados, tais como a Bacia do Guadiana, a maior mancha de sobreiro do mundo e o maior aquífero Ibérico através dos projetos “Conservação da Bacia do Guadiana” e “GHoF (Green Heart Of Cork)”.

A Coca-Cola tem no seu coração a sustentabilidade da água, por ser o seu ingrediente base e um recurso vital para os ecossistemas, a saúde humana, o progresso e o desenvolvimento. Por isso, a Coca-Cola apoiou estes projetos que foram muito elogiados a nível internacional e que marcaram de forma positiva os locais onde decorreram as intervenções.

Conversámos com Ângela Morgado, que faz parte da equipa da WWF e conhece melhor que ninguém como esta equação passou do papel para a realidade. 

Conservação da Bacia do Guadiana

A WWF e a Coca-Cola uniram esforços para devolver o grande valor ecológico à região hidrográfica do Guadiana, um ecossistema amplamente identificado como necessitado de intervenção a nível do seu restauro ecológico.

Como surgiu o projeto da Conservação da Bacia do Guadiana?

A WWF e a Coca-Cola são parceiras desde 2008, ano em que a Coca-Cola apoiou, pela primeira vez, o programa florestal da WWF Mediterrâneo em Portugal através do projeto de restauro florestal da Bacia do Guadiana (2008). Para a WWF a Bacia do Guadiana é um importante hotspot de biodiversidade; aí ensaiámos, com o apoio da Coca-Cola, um projeto de restauro florestal da encosta da Ribeira do Vascão e das suas galerias ripícolas que beneficiou a floresta e a população do saramugo, um peixe endémico e criticamente ameaçado. Hoje a Ribeira do Vascão é classificada como sítio Ramsar* e acreditamos que o nosso trabalho no local também contribuiu para a obtenção desta classificação.

O que significa, para si, a colaboração com a Coca-Cola nos projetos da WWF?

Significa para a WWF a oportunidade de atingir objetivos de conservação importantes para as pessoas e para a natureza com o apoio de uma empresa que sempre acreditou nos nossos projetos e com quem temos uma relação e confiança.

O projeto teve três objetivos principais: melhorar o estado de conservação da floresta da bacia do Guadiana; beneficiar os habitats naturais das espécies endémicas do Rio Guadiana, em especial do Saramugo (classificada em Perigo de Extinção) e restaurar áreas degradadas da sua bacia, nomeadamente áreas ardidas e em risco de desertificação, qual considera ter sido o mais desafiante?

Todos eles porque todos implicaram um programa de ação detalhado e inovador, mas sem dúvida que para a WWF a conservação da floresta portuguesa é uma prioridade estratégica em Portugal e no Mediterrâneo.

Green Heart Of Cork

GHoC conservou a maior mancha de sobreiro do mundo e o maior aquífero Ibérico, que se localiza no Vale Inferior do Tejo-Sado e inclui alguns dos habitats mais bio-diversos do Mediterrâneo.

A WWF classifica o montado de sobro da Bacia do Tejo-Sado como uma Floresta de Alto Valor de Conservação, identificando a regulação do ciclo hídrico que este ecossistema faz sobre o aquífero Tejo-Sado como de importância crítica.

No coração do Montado, com o apoio da Coca-Cola, a WWF valorizou os proprietários rurais que apresentaram boas práticas de gestão florestal e que mais contribuem para a melhoria dos serviços fundamentais que os ecossistemas prestam a todos nós: a retenção de carbono, a formação de solo, a regulação do ciclo da água e a proteção da biodiversidade.

Como surgiu o projeto Green Heart Of Cork?

O GHoC é o projeto inovador de pagamento de serviços ambientais da WWF em Portugal (e um dos raros na Europa), localiza–se na Bacia do Tejo-Sado, outra importante área em termos de biodiversidade: a maior mancha de montado do mundo e o maior aquífero ibérico. Em 2011 a Coca-Cola foi a primeira empresa a aderir à plataforma de compradores de serviços ambientais que o projeto criou dispostos a recompensar proprietários e gestores florestais pelos serviços ambientais prestados e pela gestão florestal responsável. O grande objetivo é a conservação do sobreiro, outro ecossistema prioritário para a WWF, habitat natural de espécies em risco de extinção como o lince ibérico e a águia imperial e ‘fornecedor’ de serviços ambientais essenciais, entre eles a regulação do ciclo de água. A Coca-Cola, tendo a sua fábrica no GHoC, garantia a disponibilidade e a qualidade do próprio recurso através deste projeto.

O Green Heart Of Cork trata-se de um aquífero. Considera que houve uma maior dificuldade em trabalhar este projeto, por ser algo mais difícil de explicar para as pessoas?

Considero que foi mais desafiante porque as pessoas em geral não entendem tão bem ou tão de imediato o ‘pagar por serviços ambientais’, ou seja, pagar pelo que a natureza nos oferece gratuitamente’, como o oxigénio, a regulação do ciclo da água e dos solos, a retenção de carbono; muitas vezes acredita-se que plantar árvores é a forma de restaurar e recuperar a floresta mas em certas situações não é assim; é importante trabalhar com proprietários e gestores florestais, partes interessadas e empresas para conservar os ecossistemas e imprimir uma dinâmica maior ao mercado dos produtos florestais.

O Green Heart Of Cork é um exemplo a nível nacional e internacional. Até que ponto considera que este reconhecimento pode levar à continuidade do projeto?

O projecto foi reconhecido dentro e fora de Portugal, recebeu já três prémios, um da Comissão Europeia, dois de instituições portuguesas, o que revela o seu carácter inovador e a sua oportunidade. O envolvimento das empresas é o garante da sua continuidade e julgamos que este reconhecimento do projecto pode atrair mais apoios e impulsionar os que já existem.

A WWF e a Coca-Cola promovem práticas ecológicas e sustentáveis. Até que ponto considera que estes projetos ajudam a sensibilizar os fãs da Coca-Cola a adotar posturas semelhantes?

Penso que os fãs da Coca-Cola devem querer, pelo menos, salvaguardar o ingrediente base da mesma – a água e a aposta na conservação da biodiversidade é a garantia para que tal aconteça. Por outro lado, pensamos que as novas gerações (com certeza consumidoras de Coca-Cola) se preocupam com o nosso planeta, com o ambiente e com a conservação da biodiversidade e querem, por isso, fazer diferente.

Em relação a perspetivas de futuro, a WWF tem algum projeto em mente?

A WWF tem uma nova área de trabalho em Portugal desde 2014 que são as Pescas: projetos relacionados com a pesca sustentável e o consumo responsável de peixe e marisco serão uma prioridade para a organização nos próximos anos.

A Coca-Cola quer contar com a ajuda de todos para contribuir para um futuro mais feliz, ecológico e sustentável.

*Sítio Ramsar significa que o país signatário da Convenção de Ramsar (Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional) designou um local para integrar a Lista de Zonas Húmidas, passando a beneficiar de prioridade no acesso à cooperação técnica internacional e apoio financeiro para promover projetos que visem a sua proteção e a utilização sustentável dos seus recursos.