O desporto não é apenas um fenómeno mediático e comercial em todo o mundo. Também muda vidas. Muda-as para melhor. Através dele, milhares de pessoas conseguem superar obstáculos que antes pareciam inalcançáveis. Como? Sentindo-se úteis, integrados na sociedade e felizes consigo mesmos. Estas são as metas que a Special Olympics, a organização internacional sem fins lucrativos, persegue e fomenta, apoiando o desporto entre os deficientes mentais. E, por tudo isso, conta mundialmente com o apoio da Coca-Cola desde 1968.

No próximo verão haverá uma nova edição da Special Olympics, destinada a deficientes mentais. Será em Los Angeles, dois anos depois da última que foi celebrada na Coreia do Sul. Desde a fundação da Special Olympics no final dos anos sessenta que se tem celebrado, ininterruptamente, em diferentes pontos do planeta.

Não é em vão, a organização conta com uma vasta presença em mais de 170 países. Mais de quatro milhões de pessoas participam em todo o mundo. Em Espanha contribuímos também com o nosso pequeno grão de milho: cerca de 16 mil desportistas trabalham com 4500 voluntários em 13 comunidades autónomas, ajudando a que desenvolvam as suas capacidades físicas em 16 provas desportivas distintas. Este ano, celebrou-se em Madrid o encontro nacional do torneio Más que Tenis, uma colaboração da Special Olympics com a Fundação Rafa Nadal, na qual participam jovens com deficiência mental e que também patrocinamos na Coca-Cola.

Todos os que fazem parte da Special Olympics trabalham com um objetivo comum: fazer com que as pessoas com deficiência mental transformem as suas vidas e superem as dificuldades.

Special Olympics: um exemplo de superação

 Como é que o desporto muda a vida destas pessoas? Não é difícil de imaginar: a prática de desporto contribui para o desenvolvimento das suas capacidades físicas e talento natural. Praticam desporto na companhia de pessoas que, como eles, encontram diariamente as mesmas barreiras e contam com o apoio de voluntários que os ajudam nos seus treinos. O treino, além da competição, é fulcral: aprendem com ele, divertem-se e beneficiam com a prática de desporto.

Como? Há histórias que mostram até que ponto o desporto se pode transformar numa forma de melhorar a vida dos deficientes mentais. É o caso de Susie Doyens, uma das mais distinguidas atletas da Special Olympics. Desde que iniciou o seu percurso na Special Olympics, Susie conseguiu passar de uma pessoa que apenas articulava algumas palavras no seu dia-a-dia... para se tornar numa das porta-vozes da organização.

Susie nasceu com a síndrome de Down, e através da Special Olympics conseguiu encontrar uma paixão: o golfe, através do qual conseguiria superar os seus problemas de comunicação.

Os seus familiares apresentaram-lhe desde muito cedo a prática desportiva. Ela revelava aptidões atléticas e interesse pelos desportos que praticava progressivamente, desde o ténis ao basebol, passando pela natação. Mas Susie não conseguia comunicar de forma fluída com as pessoas que a rodeavam. A sua falta de confiança provocava a sua reclusão. Até que os seus pais encontraram algo que realmente a entusiasmava, algo que amava. O golfe.

O contacto de Susie com a Special Olympics permitiu-lhe iniciar-se no desporto e melhorar as suas capacidades de forma rápida e progressiva. Simultaneamente, dotou-a de confiança como comunicar com os outros e começar a falar. Funcionou tão bem que, em 2001, Susie explicou à sua família que queria tornar-se a porta-voz mundial da Special Olympics, explicando ao mundo de que foram o programa e o desporto tinham contribuído na melhorar a sua vida. Até hoje, Susie deu mais de 300 discursos ao longo da sua vida, perante milhares e milhares de pessoas.

Não há uma forma melhor de resumir o que representa para ela toda a experiência vivida pelas suas próprias palavras: "Gostava que todos pudessem ter o prazer de participar num programa tão maravilhoso. É muito importante que todos se sintam bem consigo mesmos, e a Special Olympics permitiu que eu e outros colegas tivéssemos a oportunidade de sermos o melhor que conseguimos ser".

O sucesso de Susie passam para o campo desportivo: em diferentes desportos, mas especialmente no golfe, Susie conseguiu mais de 200 medalhas como atleta Special Olympic. Sem dúvida, um exemplo de superação. Ora bem, o que fará Susie nos próximos Special Olympics, que irão ocorrer em junho? Ainda não se sabe se estará presente, mas treina diariamente para isso, fazendo exercício e praticando golfe três horas e meia, duas vezes por semana.

A preparar os Special Olympics do amanhã

 A propósito dos Special Olympics de Los Angeles, os nossos atletas estão atualmente a preparar-se para eles. A competição não obriga a marcos mínimos, está aberta a todos. Além disso, os níveis variam em cinco escalas, permitindo que cada um dos atletas compita com outras pessoas que partilham das suas características. Também há subgrupos com base na idade. O objetivo de todos eles é ganhar, mas e se não se conseguir? Tal como o lema da Special Olympics diz: o máximo esforço é a recompensa própria.

Como se desenvolve esta preparação? Aqui os treinadores desempenham um papel fundamental. Em primeiro lugar, na criação de um ambiente saudável que se concentra na aprendizagem. Esta é uma fase fulcral e a Special Olympics tem um compromisso com a Excelência no treino.

Cada um dos treinadores é um tutor pessoal que fomenta a superação dos desafios próprios por parte dos atletas. Supervisiona o estado físico e orienta-os na sua preparação. Mais importante: são modelos de conduta e fomentam o carácter, o estado mental, dos seus alunos. Assim, as pessoas com incapacidade podem refutar as suas limitações e alcançar metas às quais se propõem.

Durante o processo, o treinador inculca atitudes positivas e aptidões no atleta que se desenvolvem além do próprio treino, tendo uma repercussão positiva tanto na sua vida diária como nos seus estudos ou vida profissional.

Desporto unido: o valor de participar em conjunto

 Aqui, os voluntários desempenham também um papel crucial. Sem o seu contributo, a criação de um bom ambiente e de um cenário entusiasta para os milhares de atletas da Special Olympics não seria possível. A sua participação permite a existência deste projeto. As pessoas que participam no voluntariado conseguem, com o seu esforço, fazer das comunidades nas quais trabalham locais mais acolhedores para as pessoas com incapacidade mental.

E assim, se o objetivo é melhorar a integração e que os atletas com incapacidade mental consigam derrubar barreiras e superar-se a si mesmos, uma das melhores formas é fazê-los ver que convivem de igual para igual com outras pessoas, também no desporto.

Daqui surge o projeto Desporto Unido, que permite que as pessoas com incapacidade e sem incapacidade partilhem a mesma equipa em diferentes provas. Existem, desde 2011, torneios de basquetebol e futebol do Desporto Unido, enriquecendo a experiência dos atletas da Special Olympics e dos seus colegas.