Quando os primeiros Jogos Olímpicos da época moderna se realizaram em Atenas em 1896, não havia vestuário feminino. Porquê? Basicamente porque o número de mulheres era… igual a zero!

Em 1900, as mulheres estrearam-se nos Jogos Olímpicos, mas a sua presença foi bastante, vá, tímida. Em 1920, quando as norte-americanas conquistaram o direito ao voto, juntaram-se 60 mulheres aos mais de 2.500 homens que participavam nas Olimpíadas.

Foi preciso esperar até 1996 para que, durante o caminho lento e gradual rumo à igualdade de género, se fizesse história. Os Jogos celebrados em Atlanta representam um marco importante na emancipação feminina: pela primeira vez, as mulheres representavam mais de um terço dos participantes: 34%.

Já os Jogos de Londres foram intitulados de “os das mulheres”. Porquê? Porque pela primeira vez na história, todos os países tiveram pelo menos uma mulher a competir pela sua bandeira. Para além disso, desfilaram mulheres praticantes de boxe, pelo que, pela primeira vez, as mulheres puderam competir em todas as modalidades abarcadas pelos Jogos.

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 representaram mais um passo em direção a esta conquista: a paridade olímpica. Quase metade dos atletas (45%) eram mulheres!

Ainda assim, a evolução é desigual nas diferentes modalidades desportivas. O Comité Olímpico Internacional (COI) impõe como requisito aos novos desportos que integram o programa olímpico a igualdade de provas para homens e mulheres. No entanto, no meio das modalidades clássicas há várias que desequilibram a balançam. É o caso da luta livre, o boxe e a canoagem.

©Fonte: Comité Olímpico Internacional | Elaborado com Datawrapper


A relação surpreendente entre praticar desporto e ter um alto cargo

“A maior presença feminina nos Jogos não deve ser subestimada porque o desporto é um campo de treino crucial para a liderança feminina”, assinala Melanne Verveer, diretora do Instituto para a Mulher, a Paz e a Segurança da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, e Kim Azzarelli, assessora jurídica especialista em igualdade, num artigo publicado no site da Coca-Cola Journey dos Estados Unidos.

Para apoiar esta afirmação, as autoras do livro Fast Forward: How Women Can Achieve Power and Purpose, citam um inquérito realizado a mulheres executivas realizado pela Ernst & Young e espnW que apresenta resultados surpreendentes: 94% das inquiridas já tinham praticado algum tipo de desporto. Três quartos das mulheres consideraram que a prática desportiva ajuda a potenciar a carreira e a acelerar a liderança feminina. “O desporto, por expor aos praticantes vários fracassos, mas também êxitos, cria resiliência, fomenta a assertividade e aumenta a confiança”, afirmam Verveer e Azzarelli.

©Wilma Rudolph tornou-se na lenda desportiva ao ganhar três medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma de 1960, incluindo os 100 metros rasos

Os Estados Unidos reconheceram a importância da participação feminina nas competições desportivas em 1972 ao aprovar a lei conhecida como Título IX. A norma exige aos centros educativos que recebam fundos federais para que ambos os sexos tenham as mesmas oportunidades na prática desportiva, possuindo acesso idêntico a treinadores, instalações e outros recursos.

O resultado foi uma explosão de mulheres praticantes de desporto no ensino secundário e superior, algumas com um futuro tão promissor que tiveram passe direto para os Jogos Olímpicos. Aliás, tal como já tinha acontecido em Londres 2012, no Rio 2016 as mulheres atletas superaram os homens na equipa olímpica do Estados Unidos.


As mulheres continuam a marcam o ritmo do olimpismo português

Nos Jogos Olímpicos deste ano, no Rio de Janeiro, as mulheres voltaram a protagonizar grandes façanhas, alcançando terreno, rompendo recordes e abrindo caminho para outras atletas. Mulheres já lendas no desporto mundial como é o caso da ginasta Simone Biles, da nadadora Katie Ledecky ou da atleta Allyson Felix.

No caso português, o nosso país encerrou os jogos com uma medalha, a de bronze, em judo. E essa medalha foi alcançada por uma mulher: Telma Monteiro. A atleta portuguesa igualou o melhor resultado de sempre do judo português, depois do bronze de Nuno Delgado em Sidney 2000.

O êxito de Telma Monteiro e tantas outras mulheres nestes Jogos são um excelente argumento para que, nos próximos encontros olímpicos, se possa atingir a igualdade em pleno.