Que o desporto é vida e saúde já todos sabemos. Mas pode ser muito mais que isso, e está nas nossas mãos para que se torne um desporto de amizade, superação, companheirismo, lealdade e competição saudável.

Em todos os desportos podemos encontrar exemplos de grandes gestos que nos fazem sorrir. São estes momentos de fair play e companheirismo que ganham o cartão branco da Coca-Cola. Neste artigo podes encontrar 10 momentos destes!

O dia em que Khan confrontou Cañizares

Estávamos no ano de 2001, e o Valencia FC defrontava a final da UEFA Champions League contra o Bayern de Münich. A partida não terminou bem para o Valencia e Cañizares acabou por chorar amargamente pela derrota.

Longe de celebrar com saltos e gritos de vitória, o guarda-redes alemão, ao ver o estado do seu rival, correu para consolá-lo. Um gesto que certamente marcará por várias décadas a história do futebol europeu.

Jesse Owens e Lutz Long, uma amizade inesperada

Nos Jogos Olímpicos de Berlim uma história de amizade subiu acima de todas as medalhas: o afro-americano Jesse Owens e o alemão Ludwig “Lutz” Long, rivais na prova de salto em comprimento. Os júris declararam nulos as duas primeiras tentativas de Owens.

Apesar de competir contra ele, Lutz aproximou-se de Owens e deu-lhe conselhos de como poderia melhorar o seu salto na sua última tentativa e até marcou o ponto a partir do qual ele devia saltar para obter uma marca válida. A história terminou com Owens a ganhar a medalha de ouro e a estabelecer um novo record olímpico, e Lutz com a medalha de prata, abraçando-o e felicitando-o. Graças ao seu espírito desportivo, Lutz foi premiado com a medalha Pierre de Coubertin a título póstumo.

Paula Pareto e o seu abraço sincero

Quando és um atleta de elite, as vitórias nas competições são muito importantes: os prémios monetários que podem fazer a diferença para mais um ano de treino, os patrocínios, a visibilidade pública… E perder uma competição é sempre um golpe para os atletas, mas devemos ter dignidade na derrota.

Assim o fez Paula Pareto, judoca Argentina, nos jogos Panamericanos de 2015 que não hesitou em abraçar e felicitar a sua rival na final, a cubana Dayaris Mestre, depois de ter sido derrotada por ela. Um belo gesto de humildade e reconhecimento do seu trabalho.


Mehgan Vogel, a atleta que levou em braços a sua adversária

Celebrava-se o campeonato estatal de atletismo em Ohio em 2012. A atleta Mehgan Vogel defrontava a prova de 3.200 metros quando se apercebeu que uma das suas rivais, Arden McMath, desmaiou no meio da pista.

Em vez de aproveitar o facto para conquistar o seu melhor resultado, Vogel nem pensou duas vezes para acolher nos seus braços a sua rival e levá-la até ao fim da pista. McMath conquistou o 13º e a Vogel o 14º lugar. 

Djokovic, um rei dentro e fora da pista

Talvez um dos momentos mais divertidos e emocionantes do ténis foi-nos oferecido pelo tenista sérvio no Roland Garros de 2014. A chuva deu início ao jogo e, no intervalo, Djokovic decidiu convidar o seu adversário a sentar-se consigo, sendo que ele próprio segurou o chapéu de chuva enquanto lhe entregou a sua raqueta. Entre conversas e risos, no final houve um brinde. Um gesto emocionante, muito bem-recebido pelo público e da humanidade que nos lembra uma das grandes estrelas do desporto. 

Ayrton Senna salvou a vida de Érik Comas

Um dos grandes pilotos da Fórmula 1, o inesquecível Ayrton Senna, também tinha um grande coração. Na sessão de qualificação de Spa-Francorchamps (Bélgica), em 1992, o carro do francês Comas despistou-se e sofreu um brutal acidente que terminou com o veículo de volta na pista e o piloto inconsciente.

O destino quis que o pé de Comas continuasse a fazer pressão sob o acelerador, fazendo com que o motor aquecesse mais e mais: o risco de incêndio era cada vez maior. Senna passou por ele, parou o carro e saltou para a pista para o auxiliar. Conseguiu tirar o pé do pedal e manter a sua cabeça de modo a que não ficasse danificada até a equipa médica chegar. Anos mais tarde, Comas afirma que, naquele dia, Senna salvou a sua vida.

O dia em que Mutai perdeu a meta de vista

Outra situação em que podemos ver que a vitória não é o fator mais importante. Em 2012, disputava-se a corrida de Burlada, em Navarra, uma prova liderada pelo queniano Abel Mutai. Este parou a poucos metros da meta, pensando que já a tinha ultrapassado.

O atleta espanhol Ivan Fernandez, que ficou em segundo lugar, optou por não ultrapassar o seu rival, mas indicar-lhe que ele tinha que continuar a correr até cruzar a meta. Ele sabia que o queniano manteve a liderança durante toda a corrida e que merecia a vitória. 

A história incrível da equipa Hoyt

Uma equipa pouco comum no mundo do desporto, sem dúvida, é formada por uma família: o jovem Rick Hoy, afetado por uma paralisia cerebral, e o seu pai, Dick Hoyt, que o acompanha em todas as competições desportivas que enfrentam juntos.

A incapacidade de Rick não o impediu de participar em quase mil competições desportivas, incluindo mais de 200 triatlos em que o seu pai empurra, por exemplo, a sua cadeira de rodas durante a corrida e o ciclismo. Uma história de amor e superação.

Derek Redmond consegue cruzar a meta em Barcelona ’92

história de Redmond é uma das que mais marca os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992. O atleta britânico corria como um dos favoritos para o pódio na corrida de 400 metros.

Soou o tiro de partida e Derek passou logo para a frente da corrida, mas a 150 metros do fim, algo aconteceu: colocou a sua mão na parte posterior da coxa direita e caiu no chão. No entanto, não foi por isso que Derek se deixou ficar: decidiu terminar a corrida, ainda que com dificuldades. O seu pai, que estava na plateia, saltou para a pista para ajudar o seu filho a cruzar a linha de chegada e assim terminaram a corrida juntos.

O abraço que demonstrou que a amizade prevalece

No mais recente clássico disputado no Estádio da Luz, a atenção estava em dois jovens jogadores, Renato Sanches, jogador do SL Benfica, e Rúben Neves, do FC Porto. A partida não correu bem para os benfiquistas. Se por um lado Rúben Neves estava feliz pela vitória em casa do principal rival, Renato sentia o peso da derrota. Duas realidades que, após o apito final, foram colocadas de lado. Os dois rapazes demonstraram que, para além de rivais são também amigos e abraçaram-se num gesto de profunda amizade.