O mexicano Jorge Garduño, até então Diretor Geral da Coca-Cola para Espanha e Portugal, assume agora novas responsabilidades internacionais no Japão.

Juntamente com a sua equipa, restituiu em dois anos o caminho do crescimento ao mercado ibérico, com um aumento no volume em 2015 de 2,5% em Espanha e 5,5% em Portugal, e de 1,4% e 3,1% em 2016, respetivamente. Durante todo este período, foi capaz de ver oportunidades em tempos difíceis e de fazer o melhor com a sua equipa, cujo talento é definido por ele como “uma combinação de arte condimentada com muita paixão”.

Encorajar as pessoas para que deem o máximo

Garduño passou pela Coca-Cola no México, Colômbia, Tailândia e Chile antes de marcar presença em Espanha e Portugal, que foi muito especial. “Falando de Espanha, a proximidade com o México é imensa. Estar aqui foi – e continua a ser –  uma experiência muito agradável.”

Estes dois anos foram intensos. Garduño liderou o lançamento da estratégia de marca única em Espanha e Portugal, dirigiu a transição da Coca-Cola Ibéria para a sua integração na divisão da Europa Ocidental e acompanhou a sua nova relação com o engarrafador após a constituição da Coca-Cola European Partners.

No entanto, o que gera o “verdadeiro orgulho” é “ter lutado cada batalha com a equipa”. Um grupo humano muito diferente que destaca “a sua paixão incondicional. Eles fazem o que for preciso para que as coisas aconteçam, mas é uma paixão que é acompanhada de compromisso e capacidade técnica: conhecem o negócio, gerem-no com grande ciência, mas ao mesmo tempo com muita arte. Eu diria que o talento Espanhol e Português na Coca-Cola Ibéria é uma grande combinação de arte e ciência condicionamentos com paixão.”

Embora haja muito talento, para que o concerto funcione é necessário um bom maestro. “Creio firmemente no empoderamento das pessoas. Aqui havia talento e compromisso, o que foi meio caminho andado para definir prioridades. Uma vez com os objetivos claros, há que deixar os profissionais encontrarem as soluções.”

Jorge Garduño nos escritórios da Coca-Cola Ibéria em Madrid
Jorge Garduño nos escritórios da Coca-Cola Ibéria em Madrid

“Que mais se pode fazer?”

Já se passaram 24 anos desde que um jovem Garduño entrou na Coca-Cola no México como estagiário e aprendeu o negócio com as rotas dos camiões de entrega. “Todo a gente deve começar a ingressar no mercado de trabalho, caso contrário, não podem aprender como as coisas acontecem. Os escritórios são o inimigo do conhecimento e da sensibilidade para o mercado.”

Foi precisamente no início que Garduño descobriu a importância de se lançar a situações complexas, enquanto os restantes vão ficando para trás. Deve isto ao seu compatriota José Octavio Reyes, Pacho, ex-diretor executivo da Coca-Cola. “Lembro-me de que o México encarava uma crise económica sem fim e Pacho perguntava: ‘Que mais se pode fazer?’ enquanto as outras Companhias, por instinto natural, cortavam o orçamento e adiavam projetos. ‘Depois da tempestade sairemos mais fortes que nunca’, assegurava.”

Realizar o que é bom para o negócio a longo-prazo

Garduño, que também sofreu alguns contratempos, mas que sabia comemorar vitórias – “porque se não se gosta, não vale a pena” – mantém um momento particularmente especial da sua passagem pela Coca-Cola Ibéria. “O jantar de despedida que a Presidente da Coca-Cola European Partners, Sol Daurella, organizou com os 12 proprietários do mercado Ibérico do engarrafador. Foram muito generosos com a sua presença e palavras.”

Da relação com o engarrafador durante a sua liderança, define-a como “aquele que tem prevalecido por fazer o que é bom para o negócio a longo-prazo. Quando o critério é este, está claro, porque não há nenhum ego ou posição que valha, é fácil resolver.”

Jorge Garduño acompanhou a Coca-Cola Ibéria na sua nova relação com o engarrafador após a criação da Coca-Cola European Partners.
Jorge Garduño acompanhou a Coca-Cola Ibéria na sua nova relação com o engarrafador após a criação da Coca-Cola European Partners.

O desafio japonês

Quando questionado se já pensou em chegar tão alto, Garduño responde que ainda está aquém das suas aspirações. “O meu esquema de medida não é baseado nos degraus escalados, mas no potencial de experiências que eu ainda tenho por viver. E esta empresa é tão grande que eu não vejo o limite.”

O Japão é a próxima paragem. O desafio prende-se em acelerar o crescimento e as oportunidades de negócio da Coca-Cola no país asiático. “Temos de continuar a inovar, mas temos de conseguir ser mais ousados e ampliar os nossos horizontes mais além do espetro de bebidas que temos, a segmentos que estão a crescer, como os produtos funcionais.”