Cada canção é uma memória e cada década tem os seus êxitos de Natal distintos. Ao longo destes 70 anos vimos como as músicas de Natal mais tradicionais passam de mão em mão pelos muitos artistas do momento. Bing Crosby é, para muitos, sinónimo de datas para viver em família e desfrutar dos melhores banquetes. Para outros, esse posto é ocupado pelos Wham! ou Mariah Carey. O importante é que a música esteja sempre presente.

Aqueles anos 40: Bing Crosby e Nat King Cole

Há duas coisas básicas num Natal. A primeira é ver o filme "A felicidade não se compra" e a segunda é ouvir a música de Natal "White Christmas" de Bing Crosby. Sem estas duas tradições o Natal não é a mesma coisa. Seria apenas comida e mais comida. A voz solene de Bing Crosby apaixonou o público quando lançou este tema em 1942, tornando-se no single mais vendido de todos os tempos, de acordo com o Livro dos Recordes do Guinness.

E para as vozes da época, não podemos esquecer Nat King Cole, um revolucionário. A sua mudança foi elegante, suave e muito doce. Poderia estar a falar com um amigo enquanto tocava piano e não nos dávamos conta. Um timbre admirado por todos e imitado por muitos.

A mudança para o fogo lento (e com ancas): Nina Simone e Elvis Presley

A voz triste, mais emotiva, a revolução social. Nina Simone foi tudo o que se propôs ser. O seu Natal é em câmara lenta, recuperando um mítico tema composto por Richard Rodgers em 1935: "Little Girl Blue", que deu o título ao seu álbum de lançamento. Estávamos em 1958 e o jazz, e a música em geral, eram como um diamante em bruto cujo brilho continuará a ser polido durante séculos.

Nessa época, o rock & roll tinha surgido para abrir uma brecha nas tradições mais estáticas. Elvis Presley não teve a vida facilitada, apesar de o êxito ter acabado por tornar inquestionável o seu lugar. A censura atacou-o de todas as formas, inclusive o autor de "White Christmas", Irving Berlin, tentou censurar a versão de Elvis para que não tocasse nas rádios em 1957. No entanto, o mestre das ancas até teve o Pai Natal ao seu lado na música de Natal "Santa Bring My Baby Back to Me".


As modas que queriam revolucionar os 60: The Ronettes e Ray Charles & Betty Carter

Quem disse que as músicas de Natal eram aborrecidas? Como prova contrária, existiu esta seleção e sobretudo um álbum: A Christmas Gift For YouPhil Spector conseguiu o mais difícil: transformar um LP de músicas de Natal numa das obras mais marcantes da história da música. Publicado em 1963, conseguiu reunir grupos femininos com The Ronettes e The Crystals e solistas como Darlene Love.

A música de Natal pode ser abordada de muitas formas. Se a dermos a Ray Charles o resultado pode ser inesperado. O homem que sexualizou o gospel fez o mesmo com "Baby, It's Cold Outside" juntamente com Betty Carter. O tema de Frank Loesser já é um clássico do Natal por muito que não tivesse sido criado nessa temática.


Os doces anos 70: The Jackson 5 e Smokey Robinson & The Miracles

Era apenas uma criança e já via a sua mãe a dar um beijo ao Pai Natal juntamente com os seus irmãos em The Jackson 5. O pequeno Michael Jackson viveu um final de anos 60 completamente apoteótico, com um primeiro single em número 1 e depois mais 3 em 1970. Chegou o Natal e tocou-lhe cantar uma canção incluída no álbum; no entanto esta não teve tanto sucesso como o "ABC".

Entretanto, a Motown sabia acumular êxitos com um ritmo alucinante. Smokey Robinson & The Miracles foram um de muitos grupos que passaram pelas mãos de Berry Gordy, Jr., capa do mesmo selo. O "Jingle Bells" é uma das músicas de Natal que nunca se esquecem.


Anos 80 entre o "Last Christmas" de Wham e o hip hop de Run-DMC

De todos os singles publicados nos anos 80 houve um que ainda continua a tocar ano após ano: "Last Christmas" de Wham!, é intemporal e merece ser destacado como uma das mais icónicas músicas de Natal. Conseguiu ser o novo Bing Crosby moderno: o Natal não será o mesmo sem esta canção. É impossível resistir a ver novamente o jovem George Michael com o seu penteado e as suas madeixas.

Entretanto, o hip hop, um estilo com sucesso nos anos 80, também se juntava ao espírito natalício. Os Run-DMC souberam como juntar os seus estilos aos riffs do rock e de álbum para álbum apareceram a cantar "Christmas In Hollis", que foi incluído numa compilação chamada A Very Special Christmas, com Madonna, U2 e até Bruce Springsteen.


Nos anos 90 chega a Mãe Natal

Era dos Wham! ou de Mariah Carey? A cantora é a única rival contemporânea que pode ultrapassar o sucesso daquele single dos anos 80. E mais, Mariah Carey deve-o em grande parte ao seu êxito "All I Want for Christmas Is You". Continua a ser um dos seus temas mais recordados e passa de geração em geração somando fãs de Mãe Natal mais sexy.


Primeira década de 2000: desde Destiny's Child até Coldplay

As mulheres estavam em alta, e antes de dar o salto a solo, Beyoncé Knowles destacou-se em grupo. Destiny's Child tornavam-se numa versão mais provocadora dos trios femininos dos anos 60 sob a égide de R&B, onde tudo se encaixava. A música de Natal "8 Days Of Christmas" saiu depois do seu êxito com o álbum Survivor; havia que aproveitar o sucesso ainda mais uns meses.

70 anos depois de Bing Crosby, chegamos ao final da nossa coleção com algo totalmente diferente: o rock alternativo. Os grandes estádios tornaram-se pequenos para os Coldplay, e assim haveriam de conquistar o Natal. Com Chris Martin nas teclas e a banda a tocar com o seu estilo intenso "Christmas Lights", não falharam no vídeo os tons de Georges Méliès.

E se ficaste com mais desejos de mais sucessos natalícios, não percas a lista de reprodução "Have a Happy Holiday" da Coca-Cola no Spotify. Mais de 60 músicas de Natal para poderes desfrutar de um Feliz Natal.